|
Nós
Afinal o que eu sinto
é o sofrimento atroz,
de muito tarde descobrir que nunca falaremos
em nós...
Eu, serei eu; tu, serás tu,
e eternamente assim,
nem nunca me terás como queres que eu seja,
nem serás como eu quero que sejas para mim.
Muito tarde...Muito tarde...
Depois que assim te quero, e preciso de ti
como os pulmões de ar,
ou os olhos de luz,
é que vou descobrir que se ficarmos juntos,
tu poderás me desprezar, como já o faz.
Quem diria afinal, ao que o amor se reduz?!
Estraguei tua vida,
e acordamos, os dois, tarde demais...
Agora eu sigo sozinha,
tu seguirás só,
fugindo, covarde ...
deste amor que te espinha,
eu, querendo, medrosa...inutilmente a paz!
E o que é estranho afinal, é que nós nos amamos,
e sentimos no entanto que nos separamos,
cada um com uma sombra dolorosa,
a sós...
Conformados, na dor cruel, nos convencemos,
de que nunca na vida, eu e tu...seremos
Nós!

.:: J. G. de Araújo Jorge ::.
|